sábado, 25 de junho de 2016

Brexit: e agora?

Em referendo com votação apertada, povo britânico toma decisão histórica de deixar a União Europeia.



46,5 milhões de britânicos foram às urnas para decidir o futuro do Reino Unido na União Europeia. O Brexit recebeu 51,9% dos votos, ante 48,1% que votaram pela permanência no bloco. Inglaterra e País de Gales lideraram os votos pela saída, enquanto Escócia e Irlanda do Norte optaram pela permanência. O resultado provocou pânico nos mercados financeiros, anúncio de renúncia do primeiro-ministro David Cameron e, sobretudo, incertezas quanto ao futuro do Reino Unido e União Europeia.

"Eu não acho que seja certo que eu tente me manter como o capitão que conduzirá nosso país ao seu próximo destino." David Cameron

Prevaleceram os experientes


Curiosos são os dados que revelam a votação por faixa etária. Os mais jovens, entre 18 e 24 anos, votaram em peso pela permanência; os mais velhos, pela saída.


Brexit é só o início?


A saída do Reino Unido ocorre em um momento crucial, em que cresce o número de movimentos separatistas pela Europa. A crise dos imigrantes, principalmente, fez ascender discursos eurocéticos e xenófobos, relacionados à extrema-direita.

Partidos nacionalistas na Alemanha e na França, duas das potências econômicas da Europa, pressionam para que seus países deixem o bloco e têm ganhado apoio popular. Pesquisa do instituto Ipsos Mori, de abril deste ano, com seis mil pessoas de nove países europeus, revelou que 45% dos entrevistados defendem a realização de referendos semelhantes ao ocorrido no Reino Unido, a fim de decidir a permanência de seus respectivos países na União Europeia. 33% destes entrevistados se manifestaram a favor da saída. Teme-se que o Brexit tenha um efeito dominó sobre as outras nações, o que pode levar à derrocada do principal projeto de integração e paz pós-Segunda Guerra.


"O dia de hoje marca um ponto de inflexão para a Europa. É um ponto de inflexão para o processo de unificação da Europa." Angela Merkel

Em editorial do Institute of Internacional Finance, um dos institutos mais importantes acerca de economia global, o presidente Tim Adams lamentou o resultado do referendo. Diz o texto:

"Os eleitores do Reino Unido fizeram as suas vozes serem ouvidas e, agora, começa a difícil tarefa de fazer a retirada da União Europeia. A extensão do impacto da decisão sobre a economia e o mercado financeiro não será clara por algum tempo, mas é certo que será muito perturbadora no curto prazo e será um entrave ao crescimento econômico e ao emprego no longo prazo, especialmente para o Reino Unido. Formuladores de políticas no país e na União Europeia têm, agora, a responsabilidade de esclarecer rapidamente a relação de longo prazo entre eles de maneira a minimizar incertezas e promover investimentos e contratações." [1]

Conclusão


Visto que o processo de saída do Reino Unido da União Europeia deve perdurar por muitos meses, agora o mundo mergulha em um cenário repleto de incertezas. É notável que, durante as últimas décadas, a existência do bloco foi determinante para a reunificação dos países europeus, elevando seu status global. Porém, as recentes crises enfrentadas pelo Velho Continente vieram ao encontro do discurso nacionalista, separatista e eurocético. Os movimentos de extrema-direita voltaram a ecoar e desencadearam no Brexit. Agora, com a vitória no referendo, ganham ainda mais força para se espalharem pelo continente. Pode ser o início do fim da União Europeia.

Por Arthur Lodi

Referências


https://www.iif.com/publication/country-report/iif-dispatch-brexit-friday-counting-costs